Nesta página ou e é um -espaço com produto interno . Alguns resultados são válidos para espaços vetoriais sobre corpos arbitrários com formas -hermitianas, mas nós vamos trabalhar com as suposições da frase anterior.
Definição 77.1 Um operador é dito normal se existe e . Ou seja, um operador é normal se e somente se existe o adjunto e ele comuta com seu adjunto.
Lema 77.1 Seja um operador.
- Se é autoadjunto, então é normal.
- Se é finita e é diagonalizável por uma base ortonormal, então é normal.
Comprovação. A primeira afirmação é óbvia, pois e claramente comutam. Para a segunda afirmação, assuma que existe uma base ortonormal de composta de autovetores de . A matriz de nesta base é uma matriz diagonal com os autovalores no diagonal principal. Na mesma base, a matriz de é diagonal com no diagonal principal. Como as matrizes diagonais e comutam, temos que também comuta com .
Exemplo 77.1 Um operador normal não precisa ser autoadjunto. Considere por exemplo o operador que é a rotação por graus. A matriz deste operador na base canônica (que é ortonormal) é A matriz da adjunta de na mesma base é ou seja, . Como rotações do plano comutam, comuta com e é normal. Por outro lado se não é múltipo de graus, e neste caso não é autoadjunto.
Lema 77.2 Assuma que é normal.
- para todo .
- Se é autovetor de com autovalor , então o mesmo é autovetor de com autovalor .
- Se e são autovetores de com autovalores e distintos, então .
Comprovação.
Seja . Então
Assuma que ; ou seja . Obtemos que . Pelo item anterior, . Então ; ou seja, .
Temos que Logo e obtemos que .
Teorema 77.1 Seja um -espaço de dimensão finita e um operador. Existe uma base ortonormal formada por autovetores de se e somente se é um operador normal.
Comprovação. Já vimos que quando existe uma base ortonormal formada por autovetores de , então é normal.
A outra direção será demonstrada por indução na dimensão de . Quando , então escolhe qualquer vetor não nulo e tome para base ortonormal formada por autovetores de . Assuma que o resultado vale para espaços de dimensão e assuma que . Como o corpo é , possui autovalor e seja um autovetor não nulo. Seja um vetor unitário. Considere e . Note que é -invariente. Mas também é -invariante, pois é autovetor de com autovalor . Assim, um resultado anterior implica que é -invariante (pois ). As restrições de e para claramente comutam e . Logo, a hipótese da indução é válida para e e possui uma base ortonormal formada por autovetores de . Ora, é a base procurada.
Exemplo 77.2 Seja o operador com matriz na base canônica. Note que a matriz de é e não é autoadjunto. Mas e é normal. Note que os autovalores de são raízes do polinômio caraterístico que são . Os autovetores ortonormais correspondentes são e . Logo pondo temos que